10 de dez de 2014

Ansiedade, a força mais nefasta do mundo

Posted by Semeando Paz on 10.12.14No comments
 

Quem nunca ficou afoito para encontrar uma caneta e depois de muita procura descobriu que estava em sua mão**
Eu não sei se isso acontece com frequência com você. Comigo é muito comum não apenas o acontecimento deste fenômeno mas também a consciência de que está acontecendo novamente, tal quando temos a sensação de um déjà vu. A ansiedade é provavelmente a causa mais fundamental para a ocorrência desta estranha e realista sensação de espera por algo que nunca acontece.
O pensamento e a expectativa excessivos para a realização de um determinado objetivo (mesmo se for apenas para encontrar uma caneta) podem e geralmente produzem algum tipo muito estranho de fenômeno, onde estes excessos resultarão em uma sensação extremamente realista de atraso, tal como se o tempo tivesse parado. É como se você quisesse que as 18 horas chegasse logo e no entanto, o tempo simplesmente não passa. O mais surpreendente ainda está por vir, porque quando desistimos de esperar, é que justamente aquilo que desejávamos acontece. Será que a ciência tem alguma explicação para este tipo de fenômeno paranormal*

Naturalidade é fluidez

A passagem relativa e  linear do tempo é marcada pela fluidez e portanto pela naturalidade dos acontecimentos. A ansiedade é a quebra deste equilíbrio, em que a fluidez é paralisada em prol de uma grande expectativa. A paralisia da fluidez dos acontecimentos se assemelharia ao trecho arranhado de música de um disco de vinil qualquer ou se jogássemos uma chave de fenda nas engrenagens de um relógio cuco. Quanto menos esperamos por uma coisa, mais provável de acontecer. Quanto mais esperamos, menos provável de acontecer.


Segundo a teoria do ”big bang”, o universo (ou periferia de universo) em que nós vivemos, após a híper-nano-concentração de energia, nasceu a partir de uma grande ‘explosão’. A partir disso, começou a sua expansão. A passagem do tempo é a expansão linear e relativa do universo. Linear porque se baseia em uma cadeia de acontecimentos  em ordem progressiva. O ”nascimento” do Sistema Solar, do planeta Terra, o crescimento do Sol e seu futuro ”falecimento”. É relativo porque é parcialmente aleatório, isto é, ainda que não se baseie por pura aleatoriedade, se dá por meio de uma determinada diversidade limitada de probabilidades. A aleatoriedade universal não é  por livre associação porque parte de padrões pré-determinados porém diversos.
Portanto, para entendermos o porquê do comportamento ansioso, nós temos de adentrar mais profundamente nos poros mais especulativos de nossa existência, que estão acima de qualquer compreensão ou sensação mundana, porque somos afetados hierarquicamente por forças metafísicas ulteriores, se somos encapsulados por estas mesmas forças ou energias.
A sensação de ansiedade, agravada pela não-ocorrência do resultado desejado, é real e não apenas realista, que poderia indicar falsa-analogia. De fato, existe uma padrão recorrente e popularmente reconhecido de coincidências fenomenológicas em que a criação de grande expectativa mental pela ruptura de determinado acontecimento, pode provocar a paralisia da fluidez temporal ou naturalidade.

Os campeões olímpicos e a fluidez cronológica


A naturalidade é uma combinação entre ansiedade controlada ou vontade e um desapego inconsciente pelo perfeccionismo mental. Algumas pessoas gaguejam justamente porque tendem a mentalizar conscientemente (e que portanto será excessivamente, porque pensamos por osmose) mecanismos específicos da fala. O resultado da ansiedade excessiva é o desastre, mesmo quando absolutamente nada acontece. Se a expectativa não for aplacada, então a inércia nervosa será o desastre apropriado para esta ocasião.
A gagueira funciona perfeitamente como analogia para este fenômeno comum e cotidiano de ansiedade temporal porque a extrema ansiedade para se falar com fluidez perfeita terminará por provocar o exato oposto. É partir desta conclusão que chegamos ao cerne principal da ansiedade, a dualidade dinâmica.
Nosso comportamento está constantemente interagindo com a morte e a com a vida. Basicamente, existimos porque evitamos a morte e porque abraçamos a vida, quando evitamos a morte, ação (perigo) e reação (sobrevivência). O mais importante da existência é a sobrevivência, não basta existir, é importante sobreviver. Nos habituamos a considerar a vida como um marasmo burocrático em nossos sofás tecnoestáticos, em nossas confortáveis mediocridades de hábitat antropomoderno. No entanto, mesmo  nestes ambientes (mais) seguros, também estaremos a todo momento interagindo diretamente com ‘riscos de vida’ (alguns sugeririam como ‘riscos de morte’).
Quando não pensamos no tempo, o tempo passa. Momentos de alegria catártica são seguidos de indagações sobre ”o porquê do tempo ter passado tão rápido justamente naquele momento de euforia”. A insônia é outro exemplo de ansiedade mental, provocada por este erro do sistema fluido-existencial.
Se a resposta para a morte é a vida, então a resposta para a expectativa é o desprezo. Portanto, tal como a luz baila com a escuridão e a vida luta contra a morte, a todo momento, a ansiedade também se dualizará com o descanso, naturalidade ou fluidez. A ansiedade é a previsão e a expectativa para que certo desejo se realize idealmente. Tal como todo insone idealiza o sono e o gago idealiza a discurso oral (provavelmente, todo idealizador é um ansioso compulsivo, tal como os caucasianos negrófilos modernos dos grandes centros urbanos do Ocidente), tudo aquilo que é dinamicamente idealizado, será afetado pela ansiedade e consequentemente perecerá na paralisia temporal.
Talvez o segredo da vida se encontre justamente neste aspecto conceitualmente simples mas ao mesmo tempo fundamental, ou seja, o de se acoplar à dualidade ao invés de desejar que o mundo seja reto, preto no preto, branco no branco, quando esta idealização primordial se mostrará não apenas infrutífera mas também consideravelmente controversa em relação à dualidade preto-no-branco ou branco-no-preto, escuridão-e-luz. Se há interação, é porque existem elementos díspares como protagonistas. Se todos nós fôssemos como indivíduos atomizados, então não haveria interação.
A resposta para o sucesso é a fluidez. E a fluidez nada mais é do que a REAL e orgânica humildade. Eis aí um grave problema porque, é comum que os organicamente humildes não tenham o fogo da vontade, da paixão, tal como os arrogantes. Portanto, os seres humanos mais autoconscientes, assim o são porque são extremamente egocêntricos, ainda que este narcisismo seja parcialmente contido por atributos positivos em combinação, tal como elevado intelecto e busca transcendental pela beleza.

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