14 de jun de 2014

Os Simpsons’ acerta mais do que erra ao retratar Copa 2014, diz blogueiro


Imagem: Reprodução
Fãs de futebol tiveram um motivo a mais para acompanhar a programação da noite deste domingo na TV por assinatura. Na Fox, Os Simpsons exibiraram (ao menos no Brasil) o quinto episódio de sua 25ª temporada, com um capítulo bastante peculiar em referência à Copa do Mundo de 2014.


No episódio em questão, Homer Simpson é convidado para ser árbitro no Mundial do Brasil, e tem que lidar com a máfia que tenta manipular resultados no torneio. Foi a segunda “visita” da família amarela ao Brasil, e nem de longe causou a polêmica da primeira – na 13ª temporada (2002), o episódio “Blame it on Lisa” teve uma repercussão tão negativa que valeu uma posição do presidente Fernando Henrique Cardoso e um aviso da própria Fox antes da exibição.
O capítulo de 2014, “You Don’t Have to Live Like a Referee”, tentou pegar mais leve com o que se viu na tela. Alguns personagens secundários foram novamente exibidos, como a curvilínea apresentadora infantil ou o caricato professor de samba. Desta vez, porém, os problemas sociais do Brasil ficaram em segundo plano. A ligação com o Brasil foi mostrada em detalhes mais claros, como a tentativa de Marge Simpson falar português, ou alguns pontos específicos das cidades, como o Teatro Amazonas, em Manaus, e a vista de São Paulo – a Catedral da Sé e a Ponte Estaiada estavam equivocadamente próximas uma da outra.
OK, mas este é um blog de futebol, e não de humor ou algo do tipo. Então vamos analisar o que houve de Copa do Mundo no episódio deste final de semana.
Em virtude de uma homenagem feita pela filha Lisa e que se torna um viral na internet, Homer é convidado por um dirigente da Federação Mundial de Futebol (a “versão Simpsons” da Fifa) para apitar a Copa do Mundo. Homem é retratado pela filha como um herói, uma personalidade inabalável, e chama a atenção da entidade.
O convite é feito por um vice-presidente da Federação Mundial de Futebol, que é preso por denúncias de corrupção no momento em que convida Homer para ser árbitro. A análise é óbvia.
A estreia mostra o Brasil jogando em São Paulo, em um estádio precisamente semelhante à Arena de São Paulo. O problema: o jogo da Seleção Brasileira é contra Luxemburgo, que não passou nem perto de se classificar. Nas eliminatórias europeias, os luxemburgueses somaram seis pontos em dez jogos, ficando na lanterna do Grupo F – na mesma chave, a Rússia (22 pontos) se classificou direto, enquanto Portugal (21 pontos) avançou via repescagem continental.
A sequência do episódio mostra uma seleção com o uniforme semelhante ao da Espanha, de camisas vermelhas, mas de calções azuis – peça que os espanhóis abandonaram em 2014. Na partida em questão, o suposto jogador espanhol tenta subornar Homer Simpson, que não aceita a propina. A sequência dá a entender que o jogo é na Arena Pernambuco, onde a atual campeã mundial invariavelmente não jogará.
Na final, o Brasil encara a Alemanha e perde por 2 a 0. Os dois times só se encontram na final se um dos dois terminar a fase de grupos em segundo lugar na chave. Se ambos liderarem ou terminarem em segundo lugar, o encontro aconteceria nas semifinais.
O craque do Brasil na Copa do Mundo é um mulato de topete que atende por El Divo. Especialista em simular faltas, ele tenta cavar um pênalti na final contra a Alemanha, mas Homer Simpson assegura: não foi pênalti. Na cena seguinte, Homer aparece no enterro de El Divo, reforçando sua posição. A morte do astro não é explicada.
Enfim, “You Don’t Have to Live Like a Referee” (exibido nos EUA em 31 de março) mostra que Os Simpsons compraram a ideia da Copa do Mundo e fizeram uma visita amistosa ao Brasil. E, com um erro ou outro, mostraram também que os Estados Unidos estão a cada dia mais atentos à Copa do Mundo.
Emanuel Colombari 
Terra
Editado por Folha Política
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