26 de abr de 2014

A ordem era matá-lo', diz afilhado de coronel reformado morto no RJ


Imagem: Pedro Kirilos / Ag. O Globo
O administrador Joaquim Sarmento Souza, 25, afilhado do coronel reformado Paulo Malhães, 76, morto durante invasão de criminosos a sua casa na quinta-feira (24), na zona rural de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, relatou à Folha neste sábado (26) uma conversa que teve com a viúva do militar logo após o crime, na qual ela afirmou que os criminosos citaram ter ordens para "matar ele". O crime aconteceu um mês depois de o oficial admitir à Comissão Nacional da Verdade que torturou e matou presos políticos na ditadura militar. 
Souza disse que foi um dos primeiros a chegar à casa do coronel na manhã seguinte ao crime. Ele mora numa casa vizinha no bairro Ipiranga. 
"A mulher dele [Cristina] contou que os bandidos se falavam o tempo todo por rádio. E recebiam ordens: 'Ainda não matou ele? Tá demorando muito. A ordem é matar ele'. Perguntavam se o meu padrinho não lembrava da família que ele matou em [Duque de] Caxias e ele respondia que não", disse Souza. 
O rapaz diz crer que o crime foi motivado por vingança, de uma das vítimas torturadas no passado ou de algum ex-empregado de Malhães, já que o oficial se desentendia com frequência com eles. 
"Ele sempre teve muito problema com funcionário, desde o cara que cuidava dos animais ao que capinava o mato no entorno da casa", lembrou. 
Já Vera Lúcia Barçante Sarmento, 64, que afirmou ser "comadre" de Malhães, disse acreditar em "queima de arquivo" porque o coronel sabia do envolvimento de outros militares nas torturas da ditadura. "Ele sabia de muita coisa e podia apontar nomes", afirmou. 
A família disse que Malhães, sua mulher e o caseiro haviam saído na quinta-feira (24) para ir a um posto de saúde e, quando voltaram para casa, por volta das 13h, foram surpreendidos por pelo menos três homens. Eles haviam entrado pela janela basculante da cozinha, após serrarem as grades. "Eles usaram as próprias armas do meu padrinho para aterrorizar eles. Amarraram a mulher dele e o caseiro. Em seguida, levaram ele para o quarto", disse Souza. 
Os criminosos ficaram com os reféns até 22h de quinta. Durante o dia, eles reviraram toda a casa e consumiram cerveja. "Queriam até que a mulher dele cozinhasse pra eles", disse o afilhado do militar. 
O grupo roubou joias, R$ 700 e pelo menos dez armas do coronel entre elas uma submetralhadora, rifles, espingardas, uma escopeta, uma pistola 9mm e um revólver 38. Depois, fugiram num carro de passeio, de modelo ainda não identificado. 
"Tentaram levar o Golf do meu padrinho, mas bateram com ele num coqueiro e abandonaram. Fugiram no carro deles", afirmou Souza. 
A polícia civil informou que continua fazendo diligências neste sábado para tentar esclarecer o crime.

Diana Brito
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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