6 de fev de 2014

Desmascarando a Bíblia (Parte 3)

Leia as primeiras partes clicando nos links abaixo:

Jeová era um Deus do amor?

Será que estas palavras vieram de um coração cheio de amor?

“quando o Senhor teu Deus tas tiver entregue, e as ferires, totalmente as destruirás; não farás com elas pacto algum, nem terás piedade delas” (cf. Deuteronômio 7:2)

“Males amontoarei sobre eles, esgotarei contra eles as minhas setas” (cf. Deuteronômio 32:23)

“Consumidos serão de fome, devorados de raios e de amarga destruição; e contra eles enviarei dentes de feras, juntamente com o veneno dos que se arrastam no pó” (cf. Deuteronômio 32:24)

“Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor, tanto ao mancebo como à virgem, assim à criança de peito como ao homem encanecido” (cf. Deuteronômio 32:25)

“Fiquem órfãos os seus filhos, e viúva a sua mulher! Andem errantes os seus filhos, e mendiguem; esmolem longe das suas habitações assoladas. O credor lance mão de tudo quanto ele tenha, e despojem-no os estranhos do fruto do seu trabalho! Não haja ninguém que se compadeça dele, nem haja quem tenha pena dos seus órfãos!” (cf. Salmos 109:9-12).

“comerás o fruto do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas” (cf. Deuteronômio 28:53)

“O céu que está sobre a tua cabeça será de bronze, e a terra que está debaixo de ti será de ferro” (cf. Deuteronômio 28:23)

“Maldito serás na cidade, e maldito serás no campo” (cf. Deuteronômio 28:16)

“De sangue embriagarei as minhas setas” (cf. Deuteronômio 32:42)

“eu me rirei no dia da vossa calamidade” (cf. Provérbios 1:26)

Essas maldições e ameaças vieram de um coração cheio de amor ou da boca da selvageria?


Jeová era um deus ou um diabo?

Por que deveríamos colocar Jeová acima de todos os outros deuses?

Será que a ignorância e o medo do homem já conceberam algo mais monstruoso?

Será que bárbaros de quaisquer terras, de quaisquer épocas, já adoraram um deus mais cruel?

Brahma era mil vezes mais nobre, assim como Osíris, Zeus e Júpiter. E também a suprema divindade dos Astecas, à qual se oferecia apenas o perfume de flores. O pior deus dos hindus, com seu colar de crânios e seu bracelete de cobras vivas, parece bondoso e compassivo quando posto lado a lado com Jeová.

Comparado a Marco Aurélio, quão pequeno Jeová parece. Comparado com Abraham Lincoln, quão cruel, quão desprezível é este deus.


6 - A administração de Jeová

Ele criou o mundo, o exército do céu [estrelas], um homem e uma mulher — e colocou estes em um jardim. 

Então a serpente os enganou, e assim foram expulsos e forçados a ganhar seu próprio pão.

Jeová ficou contrariado.

Tentou novamente. Ficou aproximadamente dezesseis séculos tentando civilizar seu povo.

Nenhuma escola, nenhuma igreja, nenhuma Bíblia, nenhum tratado — ninguém os ensinou a ler ou escrever. 

Nem sinal dos Dez Mandamentos. O povo tornava-se pior e pior, até que o misericordioso Jeová decidiu enviar o dilúvio para afogar todas as criaturas, salvo Noé e sua família — oito no total.

Então ele recomeçou. Mudou seus hábitos alimentares. De início Adão e Eva eram vegetarianos, mas após o dilúvio Jeová disse: “Tudo quanto se move e vive vos servirá de mantimento” (cf. Gênesis 9:3) — cobras e urubus.

Mas falhou novamente, e na Torre de Babel dispersou e espalhou os povos.

Percebendo que não conseguiria administrar todos os povos, decidiu dedicar-se a uns poucos; escolheu Abraão e seus descendentes. Malogrou novamente. Seus escolhidos foram capturados pelos egípcios e escravizados por quatro séculos.

Ele tentou novamente — resgatou-os do Faraó e direcionou-os à Palestina.

Mudou então sua dieta, permitindo-os comer apenas os animais de unhas fendidas e que se alimentassem de grama.

Falhou novamente.

O povo o odiava; preferia a escravidão do Egito à liberdade de Jeová. Então os deixou vagando até que quase todos que tinham vindo do Egito estivessem mortos. E tentou novamente — levou-os à Palestina e os colocou sob governo dos Juízes.

Isso também foi um fracasso — nenhuma escola, nenhuma Bíblia. Então tentou os réis, que eram em sua maioria idólatras.

Então seu povo escolhido foi conquistado e levado em cativeiro pelos babilônios.

Outro insucesso.

Eles retornaram, e Jeová experimentou os profetas — berradores e gemedores —, mas o povo tornava-se cada vez pior. Nada de escolas, ciências, artes ou comércio. Então Jeová fez-se carne — nascido de uma mulher —, e viveu entre o povo que vinha tentando civilizar há milênios. Então o povo, seguindo as leis que o próprio Jeová havia lhes dado, acusou este Jeová-homem — este Cristo — de blasfêmia; o acusaram, julgaram e mataram.

Jeová falhou novamente.

Então abandonou os judeus e concentrou sua atenção no resto do mundo.

E agora os judeus, apesar abandonados por Jeová e perseguidos pelos cristãos, são o povo mais próspero de Terra. Novamente, uma falha.

Que administração!


7 - O Novo Testamento

Quem escreveu o Novo Testamento?

Estudiosos do cristianismo admitem que não sabem. Admitem que, se os quatro evangelhos tivessem sido escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João, então estariam em hebraico. Entretanto, nenhum manuscrito de quaisquer dos evangelhos jamais foi encontrado em hebraico. Todos foram escritos em grego. Assim, teólogos educados admitem que as Epístolas — Tiago e Judas — foram escritas por pessoas que desconheciam totalmente os quatro evangelhos. Nestas duas epístolas não é feita qualquer alusão aos evangelhos e nem aos milagres que relatam.

A mais antiga referência encontrada a um dos quatro evangelhos foi feita cerca de cento e oito anos após o nascimento de Cristo, e os quatro evangelhos foram pela primeira vez nomeados e citados no começo do terceiro século, cerca de cento e setenta anos após a morte de Cristo.

Hoje sabemos que havia muitos outros evangelhos além dos quatro, alguns dos quais perderam-se. Havia o evangelho de Paulo, dos Egípcios, dos Hebreus, da Verdade, de Judas, de Tadeu, de Infância, de Tomé, de Maria, de André, de Nicodemos, de Marcião e vários outros.

Havia os Atos de Pilatos, de André, de Maria, de Paulo, de Tecla e muitos outros; também havia um livro chamado O Pastor de Hermas.

A princípio nenhum desses livros era considerado inspirado. Achava-se que o Velho Testamento era divino, mas os livros que atualmente constituem o Novo Testamento eram considerados meras produções humanas. Hoje temos consciência de nossa ignorância quanto aos verdadeiros autores dos quatro evangelhos.
A questão é: os autores destes quatro evangelhos estavam inspirados?

Se estavam, então os quatro evangelhos necessariamente são verdadeiros. E se são verdadeiros, obviamente devem concordar entre si.

Os quatro evangelhos não concordam.

Mateus, Marcos e Lucas desconheciam totalmente a recompensa e a salvação através da fé. Conheciam apenas o evangelho da boa ação — da caridade. Ensinam que, se perdoarmos aos outros, Deus nos perdoará.

Com isso o Evangelho de João não concorda.

Neste evangelho é dito que precisamos crer no Senhor Jesus Cristo; que precisamos nascer novamente; que precisamos beber o sangue e comer a carne de Cristo. Neste evangelho encontramos a doutrina da recompensa e a de que Cristo morreu e sofreu por nós.

Este evangelho é completamente divergente dos outros três. Se os outros três são verdadeiros, então o Evangelho de João é falso. Se o Evangelho de João foi escrito por um homem inspirado, então os autores dos outros três careciam de inspiração. Para isto não há escapatória. É impossível que os quatro sejam verdadeiros.

É evidente que há muitas interpolações nos quatro evangelhos.

Por exemplo, no 28º capítulo de Mateus é dito que os soldados da tumba de Cristo foram subornados para dizerem que os discípulos de Jesus furtaram seu corpo enquanto eles — os soldados — dormiam.
Isso é claramente uma interpolação, uma interrupção na narrativa.

O 10º verso deveria ser seguido pelo 16º.

O 10º verso: “Então lhes disse Jesus: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão para a Galileia; ali me verão”.

O 16º verso: “Partiram, pois, os onze discípulos para a Galileia, para o monte onde Jesus lhes designara”.
A história sobre os soldados está contida nos versos 11, 12, 13, 14 e 15. É uma interpolação — uma reflexão posterior, muito posterior. O 15º verso demonstra isto.

O 15º verso: “Então eles, tendo recebido o dinheiro, fizeram como foram instruídos. E essa história tem-se divulgado entre os judeus até o dia de hoje”.

Certamente esta passagem não estava no evangelho original, e certamente o 15º verso não foi escrito por um judeu. Nenhum judeu escreveria isto: “E essa história tem-se divulgado entre os judeus até o dia de hoje”.

Marcos, João e Lucas nunca souberam que os soldados foram subornados; ou, se souberam, não julgaram que tal fato merecia ser registrado. Ou seja, as passagens sobre a Ascensão de Jesus Cristo em Marcos e Lucas são interpolações. Mateus não diz qualquer coisa sobre a Ascensão.

Certamente nunca houve um milagre de maiores proporções, e mesmo assim Mateus, que estava presente — que viu o Senhor ascender aos céus e desaparecer —, não o julgou digno de menção.

Por outro lado, as últimas palavras de Cristo, de acordo com Mateus, contradizem a Ascensão: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”. (cf. Mateus 28:20)

João, que estava presente, se é que Cristo realmente ascendeu, não diz sequer uma palavra sobre o assunto.

Quanto à Ascensão, os evangelhos não concordam.

A seguir está transcrita a última conversa de Cristo com seus apóstolos segundo Marcos: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus.” (cf. Marcos 16:15-19)

Será possível que tal descrição foi escrita por um indivíduo que testemunhou este milagre?

O milagre foi descrito por Lucas desta forma: “E aconteceu que, enquanto os abençoava, apartou-se deles; e foi elevado ao céu”. (cf. Lucas 24:51)

Nos Atos é dito que: “Tendo ele dito estas coisas, foi levado para cima, enquanto eles olhavam, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos”. (cf. Atos 1:9)

Nem Lucas, Mateus, João ou o autor de Atos ouviram qualquer palavra da conversa atribuída a Cristo por Marcos. O fato é que a Ascensão de Cristo não foi alegada pelos seus discípulos.

A princípio Cristo era apenas um homem — e nada mais. Maria era sua mãe, José era seu pai. A genealogia de seu pai, José, foi apresentada para demonstrar que ele tinha o mesmo sangue de Davi.

Então se alegou que ele era o filho de Deus e que mãe era uma virgem — e permaneceu virgem até sua morte.

Então se alegou que Cristo levantou dentre os mortos e ascendeu corporalmente ao céu.

Foram necessários muitos anos para que essas absurdidades se apoderassem das mentes dos homens.

Se Cristo levantou-se dentre os mortos, por que não apareceu aos seus inimigos? Por que não fez uma visita a Caifás, o sumo sacerdote? Por que não fez outra entrada triunfante em Jerusalém?

Se realmente ascendeu, por que não o fez em público, na presença de seus perseguidores? Por que o maior dos milagres deveria ser feito em segredo, num canto?

Foi um milagre que poderia ter sido visto por uma vasta multidão — um milagre impossível de ser simulado —, que teria convencido centenas de milhares.

Após a história da Ressurreição, a Ascensão tornou-se uma necessidade: precisavam se livrar do corpo.
Há muitas outras interpolações nos evangelhos e epístolas.

Pergunto novamente: o Novo Testamento é verdadeiro? Será que alguém ainda acredita que no nascimento de Cristo houve uma saudação celestial; que uma estrela guiou os magos do oriente; que Herodes matou todos os meninos de dois anos para baixo que havia em Belém?

Os evangelhos estão repletos de narrativas de milagres. Eles realmente ocorreram?

Mateus relata os pormenores de aproximadamente vinte e dois milagres, Marcos cerca de dezenove, Lucas ao redor dezoito e João por volta de sete.

De acordo com os evangelhos, Cristo curou doenças, expulsou demônios, repreendeu o mar, curou os cegos, alimentou multidões com cinco pães e dois peixes, caminhou sobre as águas, amaldiçoou uma figueira, transformou água em vinho e ressuscitou os mortos.

Mateus é o único que fala sobre a estrela e os magos — o único que menciona o assassinato dos bebês.
João é o único que diz algo sobre a ressurreição de Lázaro e Lucas é o único que narra a ressurreição do filho da viúva de Naim.

Como seria possível comprovar tais milagres?

Os judeus, entre os quais diz-se que os milagres ocorreram, não acreditavam neles. Os doentes, os paralisados, os leprosos e os cegos que foram curados não se tornaram seguidores de Cristo. Nunca mais se ouviu falar daqueles que foram ressuscitados.

Será que qualquer homem inteligente acredita na existência de demônios? Os autores dos três evangelhos certamente acreditavam. João não diz nada sobre Cristo ter expulsado demônios, mas Mateus, Marcos e Lucas dão muitos exemplos.

Será que qualquer homem de bom senso acredita que Cristo expulsava demônios? Se os discípulos o disseram, estavam enganados. Se cristo o disse, era um maluco ou um impostor.

Se as passagens sobre a expulsão de demônios são falsas, então os escritores eram ignorantes ou desonestos. Se seus escritos revelam ignorância, então não estavam inspirados. Se tinham consciência de que estavam escrevendo falsidades, então também não estavam inspirados. Se o que escreveram é uma inverdade — não importa se o sabiam ou não — certamente não havia inspiração.

Naquela época acreditava-se que a paralisia, a epilepsia, a surdez, a insanidade e muitas outras doenças eram causadas por demônios; acreditava-se que os demônios apossavam-se e viviam nos corpos de homens e mulheres. Cristo acreditava nisso, pregou isso e fingiu curar doenças expulsando os demônios dos doentes e insanos. Se hoje sabemos alguma coisa, é que doenças não são causadas pela presença de demônios. Se hoje sabemos alguma coisa, é que demônios não habitam os corpos dos homens.

Se Cristo disse e fez o que os autores dos três evangelhos relatam, então Cristo estava enganado. Se estava enganado, certamente não era Deus. Se estava enganado, certamente não estava inspirado.

Será verdade que o Demônio tentou cristo?

Será verdade que o Demônio levou Cristo ao topo do templo e tentou induzi-lo a pular ao chão?

Como tais milagres podem ser comprovados?

Os mais importantes não escreveram nada, Cristo não escreveu nada, o Demônio permaneceu em silêncio.
Como podemos ter certeza de que o Demônio tentou Cristo? Quem redigiu a narração? Não sabemos. Como o autor tomou conhecimento do fato? Não sabemos.

Alguém, a dezessete séculos atrás, disse que o Demônio tentou Deus; que o Demônio levou Deus ao topo do templo e tentou induzi-lo a pular, mas Deus foi mais esperto que o Demônio.

É apenas essa a evidência que temos.

Será que na literatura mundial há algo mais perfeitamente imbecil?

Pessoas inteligentes não acreditam mais em bruxas, magos, fantasmas ou demônios, e estão plenamente satisfeitas com a ideia de que cada palavra do Novo Testamento sobre a expulsão de demônios é totalmente falsa.

Podemos acreditar que Cristo ressuscitou os mortos?

A viúva de Naim está acompanhando cortejo de seu filho até a tumba. Cristo interrompe o funeral e ressuscita o jovem rapaz e o devolve aos braços de sua mãe.

Este jovem rapaz desaparece. Nunca mais se ouve falar dele. Ninguém parece se interessar pelo homem que retornou da morte. Lucas é o único que conta esta história. Talvez Mateus, Marcos e João nunca tenham ouvido falar dela, ou não a acreditaram, e portanto não a registraram.

João diz que Lázaro foi ressuscitado; Mateus, Marcos e Lucas não falam qualquer coisa sobre isso.
Foi um milagre ainda mais belo que o ressuscitamento do filho da viúva. Este último não tinha sido sepultado por dias, estava apenas a caminho de sua tumba, mas Lázaro estava de fato morto, já tinha começado a decompor-se.

Lázaro não suscitou o menor interesse. Ninguém perguntou a ele sobre o outro mundo. Ninguém perguntou sobre seus amigos mortos. Quando morreu pela segunda vez, ninguém disse: “Ele não está temente. Já atravessou esta estrada e sabe exatamente para onde está indo”.

Não acreditamos nos milagres de Maomé, contudo eles são tão bem comprovados quanto estes. Não acreditamos nos milagres feitos por Joseph Smith(3), e as evidências são muito maiores, muito melhores.
Se hoje aparecesse um homem fingindo ressuscitar os mortos, fingindo expulsar demônios, o consideraríamos um maluco. O que, então, podemos dizer a respeito de Cristo? Se quisermos salvar sua reputação, seremos forçados a admitir que ele nunca fingiu ressuscitar os mortos, que ele nunca alegou expulsar demônios.

Precisaríamos, então, partir do pressuposto de que essas façanhas impossíveis e ignorantes foram inventadas pelos seus discípulos, que buscavam divinizar seu líder.

Naqueles dias de ignorância essas falsidades serviam para tornar Cristo famoso, mas agora lançam descrédito contra os autores dos evangelhos.

Será que hoje em dia podemos acreditar que água foi transformada em vinho? João relata esse milagre pueril, e diz que os outros discípulos também estavam presentes, contudo Mateus, Marcos e Lucas não dizem qualquer coisa a respeito.

Peguem o milagre do homem curado pelo tanque de Betesda. João diz que um anjo agitou a água do tanque de Betesda, e que o primeiro a entrar nele após o movimento da água seria curado de qualquer enfermidade. (cf. João 5:4)

Será que hoje em dia alguém ainda acredita que um anjo foi até o tanque e agitou a água? Alguém acredita que o pobre coitado que entrou nela primeiro foi curado? O autor do Evangelho de João acreditava e afirmava essas absurdidades.

Se ele estava enganado quanto a isto, talvez também estivesse quanto à todos os outros milagres que documentou.

João é o único que fala sobre o tanque de Betesda. Provavelmente os outros discípulos não acreditavam na história.

Como podemos dar crédito a esses falsos milagres?

Na época em que os discípulos viveram — e muitos séculos após — o mundo era abarrotado de explicações sobrenaturais. Quase tudo que acontecia era considerado milagroso. Deus era o governador imediato do mundo inteiro. Se as pessoas fossem boas, Deus enviava tempos de plantio e colheita; mas se fossem más, enviava dilúvios, granizo, geadas e fome. Se acontecia algo muito bom, o fato era exagerado até que se transformasse num milagre.

As pessoas não tinham qualquer noção, qualquer conhecimento sobre a ordem dos eventos — sobre a inquebrável cadeia de causas e efeitos.

Milagres são um símbolo da fraude. Nenhum milagre jamais aconteceu. Nenhum homem inteligente e honesto jamais fingiu realizar milagres, e nunca o fará.

Se Cristo tivesse realizado os milagres atribuídos a ele; se tivesse curado os paralíticos e os loucos; se tivesse concedido a audição aos surdos e a visão aos cegos; se tivesse curado leprosos com uma simples palavra, se com um toque tivesse dado vida e força a um membro atrofiado; se tivesse dado pulso e movimento, calor e consciência ao frio e inerte barro; se tivesse conquistado a morte, escapando das pálidas garras da sepultura — então nenhuma palavra seria pronunciada, nenhuma mão seria levantada, salvo em seu louvor e honra. Em sua presença todas cabeças estariam descobertas e todos joelhos contra o chão.
Não é estranho que durante o julgamento de Cristo não se tenha encontrado qualquer indivíduo que testemunhasse a seu favor?

Nenhum homem deu um passo à frente e disse: “Eu era leproso e este homem me curou com um toque”.

Nenhuma mulher disse: “Eu sou a viúva de Naim e este é meu filho, o qual foi ressuscitado por este homem”.

Nenhum homem disse: “Eu era cego e este homem me deu visão”.

Tudo era silêncio.

 (continua...)
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