28 de jan de 2014

Desmascarando a Bíblia (Parte 1)


Escrito em 1894, por Robert G. Ingersoll

Alguém precisava dizer a verdade sobre a Bíblia. Os padres não ousariam, pois seriam expulsos de seus púlpitos. Os professores nas faculdades não ousariam, pois perderiam seus salários. Os políticos não ousariam, pois seriam derrotados. Os editores não ousariam, pois perderiam seus leitores. Os comerciantes não ousariam, pois perderiam seus clientes. Os homens de prestígio não ousariam, temendo perder seus admiradores. Nem mesmo os balconistas ousariam, pois poderiam ser despedidos. Então resolvi fazer isso eu mesmo.


Há milhões de pessoas que creem que a Bíblia é a palavra inspirada por Deus — milhões que pensam que este livro é um báculo e um guia, um conselheiro e um consolador; que preenche o presente com paz e o futuro com esperança — milhões que creem que é a fonte da lei, da justiça e da clemência, e que o mundo deve sua liberdade, riqueza e civilidade aos seus sábios e benignos ensinamentos — milhões que acreditam que este livro é a revelação da sabedoria e do amor de Deus ao cérebro e coração do homem — milhões que consideram este livro como uma tocha que sobrepuja a escuridão da morte e derrama seu brilho em outro mundo — um mundo sem lágrimas.

Entretanto, esquecem-se de sua ignorância e selvageria, de seu ódio à liberdade, de sua perseguição religiosa; lembram-se do céu, mas esquecem-se do calabouço da dor eterna. Esquecem-se de que aprisiona a mente e corrompe o coração. Esquecem-se de que é um inimigo da liberdade intelectual. A liberdade é minha religião. Liberdade das mãos e da mente — no pensar e no trabalhar. Liberdade é uma palavra odiada pelos reis e amaldiçoada pelos papas. É uma palavra que despedaça tronos e altares — que deixa a coroa sem súditos e as mãos estendidas da superstição sem esmolas. Liberdade é a consequência, o fruto da justiça — o perfume da clemência. Liberdade é a semente e o solo, o ar e a luz, o orvalho e a chuva do progresso, o amor e a alegria.


1 - A Origem da Bíblia

Algumas famílias errantes — pobres, esfarrapadas, sem educação, arte ou poder; descendentes daqueles que foram escravizados por quatro séculos; ignorantes como os habitantes da África Central — haviam acabado de escapar de seus senhores ao deserto do Sinai. Seu líder era Moisés, um homem que havia sido criado pela família do faraó e que havia aprendido a lei e a mitologia do Egito. No intuito de controlar seus seguidores, fingiu ser instruído e assistido por Jeová, o Deus desses andarilhos.

Tudo que acontecia era atribuído à interferência desse Deus. Moisés disse que encontrou esse Deus face a face; disse que no topo do Monte Sinai recebeu das mãos desse Deus as tábuas de pedra nas quais, pelas próprias mãos de Deus, os Dez Mandamentos foram escritos, e que, além disso, Jeová o informou sobre quais sacrifícios e cerimônias lhe eram agradáveis e quais leis deveriam governar esse povo.

Deste modo a religião judaica e o Código Mosaico foram estabelecidos.

Agora se alega que essa religião e essas leis foram reveladas e estabelecidas para toda a humanidade.
Naquele tempo esses andarilhos não possuíam comércio com outras nações, não possuíam linguagem escrita, não podiam ler nem escrever. Não possuíam meios para fazer com que outras nações tomassem conhecimento daquela revelação, que assim permaneceu enterrada no linguajar de umas poucas tribos ignorantes, empobrecidas e desconhecidas por mais de dois mil anos.

Muitos séculos após Moisés — o líder — ter morrido, muitos séculos após todos seus seguidores terem morrido, o Pentateuco foi escrito — uma obra de muitos escritores —, e para lhe conferir força e autoridade, afirmou-se que era de autoria de Moisés.

Hoje sabemos que o Pentateuco não foi escrito por Moisés.

Nele são mencionadas cidades que nem existiam na época em que Moisés viveu.

Nele é mencionado dinheiro que só foi cunhado séculos após sua morte.

Assim, muitas das leis não eram compatíveis com viajantes do deserto — leis sobre agricultura, sobre o sacrifício de bois, ovelhas e pombas, sobre tecelagem de roupas, sobre ornamentos de ouro e prata, sobre o cultivo da terra, sobre a colheita, sobre o debulhamento de grãos, sobre casas e templos, sobre cidades de refúgio e sobre muitos outros assuntos que não possuíam qualquer relação possível com uns poucos viajantes famintos.

Não apenas os teólogos inteligentes e honestos admitem que Moisés não foi o autor do Pentateuco; todos admitem que ninguém sabe quem foram os autores ou quem escreveu qual daqueles livros, capítulo ou linha. Sabemos que os livros não foram escritos na mesma geração; que não foram todos escritos por uma única pessoa; que estão repletos de erros e contradições. Admite-se também que Josué não escreveu o livro que leva seu nome, pois nele há referências a eventos que ocorreram muito tempo após sua morte.

Ninguém conhece ou finge conhecer o autor de Juízes; todos sabemos que foi escrito séculos após os juízes terem deixado de existir. Ninguém conhece o autor de Rute, nem o Primeiro ou o Segundo de Samuel; sabemos apenas que Samuel não escreveu os livros que têm seu nome. No 25o capítulo de I Samuel é narrada a criação de Samuel pela feiticeira de Endora.

Ninguém sabe quem foi o autor de I e II Reis ou de I e II Crônicas; tudo que sabemos é que tais livros não têm qualquer valor.

Sabemos que os Salmos não foram escritos por Davi. Neles fala-se da escravidão, a qual somente ocorreu por volta de cinco séculos após Davi ter “dormido” com seus pais.

Sabemos que Salomão não escreveu os Provérbios nem os Cânticos; que Isaías não foi o autor do livro com seu nome; que ninguém conhece o autor de Jó, Eclesiastes, Éster ou qualquer outro livro do Novo Testamento, com exceção de Esdras.

Sabemos que Deus não é citado nem aludido em qualquer aspecto no livro de Éster. Sabemos também que o livro é cruel, absurdo e impossível.

Deus não é mencionado no Cântico dos Cânticos, o melhor livro no Velho Testamento.
E sabemos que Eclesiastes foi escrito por um incrédulo.

Sabemos também que os próprios judeus não haviam decidido quais livros eram inspirados — ou seja, autênticos — até o segundo século após Cristo.

Sabemos que a ideia de inspiração difundiu-se lentamente, e que a inspiração era determinada por indivíduos que tinham certos fins a serem atingidos.

(Continua...)
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