8 de jul de 2013

Onu: israel contra as crianças...Tortura, confinamento, agressão sexual, escudos humanos

Bem poucos media realçaram a notícia, mas esta é clamorosa (apesar de não inesperada) sobretudo considerando a fonte: as Nações Unidas.

Um grupo de pesquisa da ONU acaba de publicar um relatório no qual acusa israel de não parar os maus-tratos de crianças palestinianas sob custódia militar e policial, factos já evidenciados em outras ocasiões.

Mas a ONU vai além disso: o relatório acusa as forças israelitas de usar as crianças palestinianas como escudos humanos e alega que em alguns casos os menores enfrentam tortura, confinamento solitário e agressão sexual.

Tortura, confinamento, agressão sexual, escudos humanos

O documento de 21 páginas chega três meses após um papel da UNICEF que criticou os maus-tratos "sistemáticos e institucionalizados" das crianças palestinianas detidas pelo exército israelita.

israel rejeita os resultados da ONU, acusa serem estas notícias velhas e politicamente motivadas, como afirma o porta-voz Aaron Sagui numa declaração à CBSNews:
Este é um relatório que baseia-se na reciclagem de acusações antigas, baseadas em preconceitos políticos - e não na investigação directa - com a intenção de atacar israel. Esta não é claramente uma ação de boa-fé, e o relatório resultante, obviamente, não pretende promover qualquer melhoria real como o relatório da UNICEF fez, mas só quer fazer manchetes.
Portanto, israel como vítima de obscuras maquinações. 

O relatório, apesar de reconhecer que as crianças de ambos os lados do conflito sofrem com a violência, observa que os palestinianos constituem uma quantidade desproporcional de vítimas. Uma das alegações mais clamorosas no documento é o "uso contínuo de crianças palestinianas como escudos humanos e informantes", situação acerca da qual o grupo conseguiu 14 casos relatados nos últimos 3 anos:
Os soldados [israelitas, ndt] usaram crianças palestinianas à frente deles para entrar em edifícios potencialmente perigosos e para ficarem na frente de veículos militares, a fim de parar o lançamento de pedras contra os veículos.
De acordo com o relatório, tais actividades permanecem em grande parte impunes:
Os soldados condenados por ter forçado uma criança de nove anos de idade a procurar em sacos suspeitos de conter explosivos só receberam uma pena suspensa de três meses.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores de israel definiu as acusações de escudo humano "salientes de má-fé":
Os autores foram totalmente informados (através de um documento oficial israelita apresentado por uma delegação) que as instruções foram emitidas e que o uso de crianças como escudos humanos é totalmente proibido.
E acrescenta que nenhum incidente de "escudo humano" foi "registado e comprovado."

O relatório da ONU dirige as suas acusações mais severas contra a tortura e os maus-tratos de crianças palestinianas por parte dos militares israelitas e sob custódia policial. As crianças detidas em áreas como Gaza e na Cisjordânia, diz o relatório:
são sistematicamente sujeitas a violência física e verbal, humilhação, restrições dolorosas, encapuçamento ou com rostos em sacos, ameaçadas de morte, violência física e violência sexual contra eles ou membros da família, acesso restrito ao banheiro, comida e água.
Na sua declaração, o Ministério de Relações Exteriores de Israel disse que as alegações de punição corporal em detenção são "totalmente infundadas e imprecisas". Todavia é interessante realçar como este relatório confirme quanto já verificado pelo anterior da UNICEF.

Já na altura o documento continha uma série de acusações relativas ao tratamento de crianças palestinianas sob custódia militar, incluindo "exemplos de práticas que equivalem a cruel, penas ou tratamentos desumanos ou degradantes".
A experiência comum de muitas crianças é serem agressivamente acordadas no meio da noite por muitos soldados armados e de ser forçosamente levadas até um centro de interrogatórios, amarradas e vendadas, privadas de sono e em um estado de medo extremo. [...] O interrogatório é uma mistura de intimidação, ameaças e violência física, com o claro propósito de forçar a criança a confessar.
Ambos os relatórios afirmam que as crianças são coagidas a confissões, muitas vezes através da assinatura de documentos escritos em hebraico, uma língua que a maioria das crianças palestinianas não entende.

O Ministério de Relações Exteriores de Tel Avive afirma que este relatório se reflecte negativamente sobre a ONU:
A lista de falsidades, erros e acusações gratuitas continua e continua sempre: este relatório envergonha a instituição que o encomendou.
O lager da Palestina

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos dedica atenção ao outros aspectos das práticas de israel que violam as suas obrigações como potência ocupante dos territórios árabes.

Afirma o Embaixador Palitha T.B. Kohona, Representante Permanente do Sri Lanka nas ONU:
A detenção continuada 5.000 palestinianos por parte de israel é causa de profunda preocupação para o mundo, especialmente no caso dos 20 prisioneiros que estão em greve de fome para protestar contra os abusos, tais como detenção arbitrária, más condições das prisões, negação de visitas familiares, isolamento, falta de acesso à educação e tratamentos médicos negligentes.
Testemunhas informaram a Comissão de que os médicos das prisões israelitas traíram o seu juramento, a premissa fundamental da profissão médica de que a saúde dos pacientes vem em primeiro lugar.
O Embaixador reportou o caso de Maysara Abu Hamdiyeh, que morreu no início deste ano por câncer depois do erro no diagnostico e no tratamento, e que teve de esperar por mais de quatro meses antes de ser enviado para o hospital. E acrescenta:
Testemunhas também relatam a morte de Arafat Jaradat, citando claras evidências de tortura enquanto sob interrogatório.
Mas o discurso não está limitado às prisões de israel:
Nos últimos seis anos a vida dos palestinianos em Gaza têm sido profundamente perturbada por causa do bloqueio de israel. Ao abrigo do Acordos de Oslo, israel concordou com uma área de 20 milhas náuticas para os pescadores palestinianos em Gaza, mas o governo israelita impôs um limite militar de três milhas náuticas. A Comissão foi informada de que israel tinha ampliado o acesso dos pescadores até seis milhas náuticas, mas também foi informada de que israel tinha novamente reduzido para três milhas durante a principal temporada de pesca. 4.000 pescadores de Gaza costumavam capturar quatro toneladas de peixe por ano, agora conseguem apenas 1,5 toneladas.
Hoje, 80 por cento dos pescadores palestinianos vivem na pobreza. Por sua vez, as punições severa de israel aplicadas aos pescadores que transgridem os limites pioram a situação: confisca dos barcos, dos motores, limitação no acesso aos cuidados de saúde e as oportunidades educacionais para as suas famílias:
Mais uma vez, este ano recebemos denúncias de pescadores palestinianos submetido a prisão, confisco dos seus equipamentos e tratamento abusivo por parte das forças de segurança de israel.
Os agricultores de Gaza encontram-se em circunstâncias similares:
Não está maximizando o cultivo dos produtos tradicionais, como morangos, cravos, ervas e pimentas doces, devido à restrição quase total de israel sobre as exportações e o cultivo na zona-tampão dentro de Gaza. Os agricultores não podem cultivar toda a terra deles e muito do que eles produzem não pode ser exportado.
A Comissão também realça como os seis anos de bloqueio bifurcaram a sociedade palestiniana:
Ouvimos de muitos palestinianos em Gaza que não vêem os membros das suas famílias, na Cisjordânia, durante anos, devido as restrições impostas por israel à circulação entre Gaza e o resto da Palestina. Há a sensação de que a divisão da população palestiniana na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, é um objectivo do bloqueio de israel.
A Comissão ouviu os depoimentos sobre o tratamento dos palestinianos que procuram uma autorização para deixar Gaza, incluindo os esforços das autoridades israelitas para pressioná-los a tornar-se informadores enquanto obrigam as mulheres a sofrer pesquisas corporais humilhantes. Ainda, existe preocupação por causa das limitadas oportunidades educacionais para os jovens, devido as restrições das fora de Gaza para estudar em escolas na Cisjordânia.

Estados Unidos, Canada...

Nem passa despercebida a actividade colonizadora de israel, tanto na Cisjordânia quanto em Jerusalém
Oriental, com o fenómeno generalizado da violência dos colonos israelitas e planeamento discriminatório de israel, que proíbe aos palestinianos a construção ou mesmo a reestruturação das suas casas.

Após ter congelado a expansão urbana, Israel acelerou a construção da sua rede de estradas que liga as várias colónias e os interesses das empresas israelitas no território palestiniano ocupado.

Ao mesmo tempo, há a destruição das infraestruturas palestinianas: 42 nos primeiro 5 meses deste anos foram demolidas e 149 foram deslocados. Em alguns casos, as famílias palestinianas são forçadas a demolir as suas casas para evitar as enormes taxas do governo israelita.

Os responsáveis? Não apenas os políticos ou os militares de israel: há multinacionais que lucram com os colonos, enquanto organizações sem fins lucrativos (dos Estados Unidos e do Canada) recolhem doações para organizações israelitas que apoiam a expansão dos assentamentos:
Estas organizações estão a perpetuar a ocupação e a provável cumplicidade daquele que é claramente um crime de guerra.
É o caso das organizações do grupo 501c3: 501 é o artigo do código federal dos EUA acerca dos impostos que específica os tipos de associações que ficam isentas do pagamento das taxas: por exemplo, a Rockefeller Foundation. c3 indica fundações ou organizações de caridade, de beneficência, religiosas, científicas, literárias ou educativas.

A atitude nazi de israel em relação ao Estado palestinês continua, não apenas na indiferença geral e na impunidade mas até com apoio financeiro estrangeiro.


Ipse dixit.
http://informacaoincorrecta.blogspot.com.br/2013/07/onu-israel-contra-as-criancas.html
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