25 de out de 2014

Vitimismo e Responsabilidade

Posted by Semeando Paz on 25.10.14No comments

Nosso presente é sempre fruto do nosso passado, assim como o futuro será consequência do que estamos criando agora. Essa é a lei superior mais imperiosa, não há como escapar dela: “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.” Quanto antes aceitarmos e nos conscientizarmos disso, mais cedo assumiremos a responsabilidade por nossas vidas e tomaremos as rédeas de nosso destino em nossas mãos, cessando com as queixas, lamentações e, principalmente, com o vitimismo, que é uma crença nociva.


Acreditar que somos vítimas na vida, pobres coitados sujeitos ao sadismo e crueldade de forças vingativas, em nada contribui para nossa saúde psicológica, espiritual e nosso crescimento. Ao contrário, faz-nos acreditar que somos impotentes, fracos, culpados, errados e pode até alimentar uma revolta contra a Vida e as forças espirituais, quer as chamemos de Deus, Budas, santos, etc. Trata-se de uma visão ilusória da verdade e, como toda ilusão, traz sofrimento.


As lições que a Vida nos impõe são o que normalmente se chama de “vontade de Deus”. Seus propósitos são apenas o de nos impulsionar para o crescimento, para o nosso melhor. No entanto, as pessoas distorceram essa lei universal e deram a ela uma interpretação maldosamente deturpada, quando se trata de situações desagradáveis. Acreditam tratar-se de uma retaliação divina por um mal (pecado) cometido, reforçando a crença errônea num Deus vingativo e cruel, o que só serve para gerar um sentimento de impotência, quando não de revolta.


Se o indivíduo crê ser impotente, permanece sofrendo passivamente, submisso a um poder maior esmagador e numa enorme baixa estima, pois não julga ser merecedor, aos olhos desse Deus, de coisas boas, por mais que tenha se esforçado em ser caridoso com seus semelhantes. Ou, acreditando ser bom, acha injusto o que lhe acontece e pode até se revoltar com esse deus. Qualquer uma dessas atitudes é fruto da ignorância sobre o verdadeiro funcionamento da Vida, bem como de uma interpretação muito equivocada do princípio divino. A moral ― ou talvez
fosse melhor dizer ética ― cósmica é muito diferente da moral humana.


De que adianta alguém apenas pedir desculpas por suas falhas e erros e voltar a cometê-los? É preferível que se empenhe para mudar e não torne a repetir o que antes gerou consequências desagradáveis. Esse é o verdadeiro arrependimento. Aquele que erra, pede desculpas e é desculpado, não encontra necessariamente desafio para se modificar. Muito provavelmente voltará a agir da mesma forma, para de novo se desculpar pelas mesmas coisas e, assim, perder credibilidade.


Não basta somente um pedido de perdão, é fundamental uma reforma íntima para se libertar dos velhos e maus hábitos. O maior beneficiado é o próprio indivíduo; além disso, as pessoas ao redor agradecem e as relações tendem a melhorar. Isso vale igualmente para aqueles que acreditam ter pecado e se limitam apenas a rezar e se penitenciar, acreditando, com isso, que ficam quites com Deus. Mera ilusão. Há de se promover a mudança, o amadurecimento.


É muito cômodo dizer: “sou assim porque Deus quer.” Na verdade, trata-se de patifaria, imaturidade para fugir à própria responsabilidade. Tal ilusão não se justifica, pois todos somos dotados de arbítrio e o usamos para o melhor ou pior. Perante a Vida, todos respondem pela própria indisciplina e negligência, pois colhemos conforme plantamos e disso não há como escapar, é a Lei.


Diz o ditado que “o pior cego é aquele que não quer ver”. Não assumir a própria responsabilidade pelo que lhe acontece e se negar a encarar seus pontos fracos, colocando a culpa em fatores externos, não é a melhor atitude. Além de não resolver nada, tal ilusão ― ou cegueira ― só tende a agravar seus problemas cada vez mais. Se você acredita que a causa de seus dissabores está fora de você, então não lhe resta alternativa a não ser a impotência e o vitimismo. Por outro lado, se você assume sua responsabilidade como criador das circunstâncias em sua vida, retoma seu poder para mudá-las e torna-se realmente capaz de melhorar sua situação interna e, por consequência, externa.


Mesmo a atuação da Graça, ou bênção divina, em nossa existência não nos exime de nossa responsabilidade pessoal diante da Vida. Continuamos tendo de aprender nossas lições e nos modificar para melhor, tanto em pensamentos, sentimentos e ações. Não há como trapacear com a Vida e qualquer tentativa de fugir a essas obrigações, que são iguais para todo mundo, só nos faz perder o mérito para outras intervenções excepcionais. Perdemos credibilidade, quando agimos com má-fé ou negligência.


É por meio da aplicação da lei da retribuição, em nossas vidas, que nos dispomos a aprender a fazer melhor. É como um rato de laboratório que, após levar choques seguidos insistindo num caminho, cansa de sofrer e resolve experimentar outro; se não se deparar mais com um choque, terá aprendido a agir de acordo com o que os cientistas esperavam dele.


Analogamente, chega uma hora em que percebemos que não é a Vida que nos empurra sadicamente para o sofrimento, nós é que insistimos em seguir o rumo da dor. Até que nos cansamos dela e decidimos reagir, assumindo a responsabilidade por nós mesmos, nossas escolhas, nossa vida e nosso bem-estar. Quanto mais aprendemos a ser responsáveis perante a Vida, mais acesso temos ao nosso Eu Superior e sua capacidade criativa infinita, capaz de manifestar as melhores e mais prazerosas situações para nós. As sensações de liberdade e poder que surgem são maravilhosas.


Não conhecer uma lei não nos exime de termos de lidar com as consequências das infrações que possamos cometer. Todo efeito é decorrência de uma causa que o gerou, então, a ignorância, sendo condição e não causa, não serve de desculpa para fugir à responsabilidade de nossos atos. Pode, quando muito, servir de atenuante, porém apenas até certo ponto. Por isso o conhecimento é sempre o melhor caminho.


A medida da insatisfação de uma pessoa com a própria vida indica seu grau de negligência consigo mesma, por não assumir a responsabilidade pelo seu destino, não tomar as rédeas dele nas mãos e não se empenhar no autoaperfeiçoamento interior ― não exterior ― para conquistar situações melhores. A frustração, a sensação de estar cansado de tudo, a desmotivação, a depressão, são jeitos de a alma mostrar o autoabandono, ou seja, que estamos seguindo um rumo equivocado para nossa realização e é preciso enxergar isso, bem como promover uma transformação positiva. Quanto mais forte e duradouro o incômodo, maior está sendo a resistência em mudar.


O motivo principal por não termos na Vida exatamente o que queremos, como queremos e quando queremos é justamente nossa falta de sintonia com as Forças Invisíveis em nós e no Universo. Os efeitos disso todos conhecem: desilusão, frustração, tristeza, desânimo, raiva e demais degraus descendentes rumo ao fundo do poço.


Tendemos ― leia-se fomos educados ― a colocar a culpa por nossos dissabores em agentes externos e, na hora em que as coisas não dão certo, cada um encontra um bode expiatório apropriado. Essa é uma atitude bem conveniente de fugir à própria responsabilidade, o que em si já denota o grau de imaturidade pessoal e, por extensão, de orgulho ― ou o tamanho do ego e o desligamento com a alma.


Os padrões comportamentais que uma pessoa adota moldam sua vida. A saúde mental, emocional e psíquica (ou espiritual) depende de reações rápidas e positivas frente a situações desagradáveis. Agir assim exercita a autonomia e o dinamismo, o que resulta numa vida mais livre de embaraços, mais dinâmica e mais prazerosa. O empacado, que fica patinando no mesmo lugar, acaba por atravancar a própria existência.


A mensagem distorcida que recebemos visava nos manter submissos e sem vontade. Isso sempre foi uma questão de conveniência para os pais, a sociedade, a igreja e o governo. Todos conseguem ter poder sobre os que, incautos, compraram a ideia de uma autoridade divina castradora e punitiva. Nunca deixou de ser um jogo de poder conveniente, transmitido ao longo do tempo.


O pior lado disso é que, se uma criança acredita que não tem vontade nem poder, então também não tem responsabilidade, afinal só faz o que alguém maior lhe manda ou permite fazer. Mesmo perante as leis civis, os pais são responsáveis pelos atos do filho, na sociedade em que vive, até que atinja a maioridade. Com a emancipação, ele não só fica livre da tutela dos pais, tendo maior poder sobre sua vida, como também passa a ter o dever de assumir as consequências do que faz. É o preço pela maturidade.


Diante das leis da Vida, somos responsáveis por nós e pelas atitudes que adotamos a todo instante, pois mesmo em um corpo de criança, ainda assim somos espíritos com bagagens interiores de outras vidas. Tanto é assim, que filhos criados pelos mesmos pais e nas mesmas condições, desde cedo apresentam comportamentos diferentes e seguem caminhos distintos.


Por causa da educação espiritual deficiente, as pessoas crescem acreditando que Deus tem o poder supremo e Sua vontade guia os desígnios humanos, cabendo a elas a submissão e a delegação de qualquer responsabilidade, sobre si e sua vida, à autoridade divina. Porém, a realidade é que o Universo cobra de cada um de nós que respondamos pelo que fizermos, já que possuímos o arbítrio. A mensagem é clara: se queremos (e temos, de fato) poder para agir como bem entendermos, precisamos assumir a responsabilidade pelo seu uso.


Cada um de nós é responsável pela vida que recebeu e pelo que faz dela. Não existe um ser superior anotando nossos atos para nos cobrar satisfações e punir, porque nós já sentimos, lá dentro, o prazer ou a dor das consequências do que criamos. Recebemos um grande dom, o arbítrio pessoal, por isso não há razão em um ser assumir os resultados das escolhas de outro. Poder dá liberdade e liberdade exige responsabilidade.


Seu maior e único compromisso na vida é consigo mesmo, no sentido de conseguir se fazer feliz. E não adianta querer assumir a responsabilidade pela felicidade de outra pessoa, pois isso cabe a ela. Agir assim é se iludir com uma pretensão tola e inútil e fugir ao próprio dever, afinal quem cuida muito dos outros, não tem tanto tempo e energia para cuidar de si e acabará respondendo por isso.


Ninguém foge à responsabilidade pelo próprio aperfeiçoamento, pois a Vida exige isso (evoluir é preciso) e não permite que um ser execute a tarefa do outro. Ninguém pode aprender suas lições por você e passar pelos desafios no seu lugar. Portanto, se você não despertar para as necessidades da sua alma e não se interessar por satisfazê-las, não há como deixar o trabalho para outra pessoa. Mas o pior é que será você quem pagará o preço pelo autoabandono, pois, na hora da dor, ninguém poderá chorar em seu lugar, enquanto você se esquiva do sofrimento. O mundo e a Vida não vão poupá-lo do que cabe somente a si mesmo: seu aperfeiçoamento.



Fonte: http://luznaconsciencia.blogspot.com/2011/05/vitimismo-x-responsabilidade.html
Imagens: google.com
http://ninhodasborboletas.blogspot.com.br
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