7 de set de 2014

Revista Exame aborda como o governo Dilma está 'destruindo' gradativamente a Petrobras (VEJA)


Ao usar a Petrobras para tentar resolver os problemas do país, o governo está asfixiando a maior empresa brasileira. Hoje, ela é a pior entre as grandes companhias de petróleo do mundo

São Paulo - As últimas seis décadas, o Brasil tem mantido uma turbulenta e pouco saudável relação com sua maior empresa, a Petrobras. Desde que foi criada, em 1953, o país deposita sobre os ombros da Petrobras uma responsabilidade no mínimo exagerada. Por mais de 40 anos, coube a ela, e só a ela, explorar petróleo no Brasil.

O monopólio, que só acabou no fim dos anos 90, tornou mais lento e custoso o caminho até a autossuficiência. Mas a verdade é que tamanha responsabilidade deu origem a uma empresa de capacidade técnica e solidez financeira inquestionáveis.

A descoberta do potencial do petróleo escondido na camada do pré-sal, em 2006, foi comemorada como algo que levaria a Petrobras a outro patamar. Mas, talvez de maneira coerente com nossa história, o país aproveitou essa oportunidade para dar à Petrobras outras missões. Não bastava a já dificílima tarefa de tornar o pré-sal viável.

Nos últimos anos, o governo usou a empresa para segurar a inflação, criar uma indústria nacional do petróleo, fazer política externa à custa de seu caixa, gerar empregos.

Tudo somado, tem-se a receita para o desastre atual: a Petrobras, sete anos após a descoberta do pré-sal, é hoje a pior entre as grandes petroleiras do mundo. Em sua tentativa de usar a Petrobras para resolver os problemas do país, o governo está asfixiando a maior empresa do Brasil.

No dia 4 de fevereiro, a Petrobras anunciou seu pior resultado em oito anos. O lucro da empresa caiu 36% entre 2011 e 2012. Os custos de operação dobraram em seis anos. A produção de petróleo caiu. E, pior, a companhia deu aos investidores um sinal de que está com problemas de caixa — em outras palavras, de que o dinheiro está acabando.

Os acionistas foram informados de que o pagamento de dividendos aos detentores de ações ordinárias (com direito a voto) seria reduzido à metade.

O objetivo é economizar 3,5 bilhões de reais. “Foi uma decisão para manter o caixa da companhia”, afirmou Maria das Graças Foster, presidente da empresa. As ações da Petrobras chegaram ao menor patamar desde 2005. E Graça Foster, com a franqueza habitual, avisou que no primeiro semestre de 2013 as coisas piorariam ainda mais.

São números ruins, como o desempenho das ações atesta. Mas apenas uma comparação internacional é capaz de dar a real dimensão da crise em que a Petrobras se enfiou — ou, mais precisamente, foi enfiada.

Das dez maiores empresas de petróleo do mundo, a estatal brasileira é a pior nos quesitos fundamentais. Sua rentabilidade em 2012 foi um terço da média de suas principais concorrentes — e a previsão é que o desempenho seja o pior também neste ano.

A reportagem completa está disponível na Revista Exame desta semana.

Com trechos de Roberta Paduan e Maria Luiza Filgueiras, EXAME
Editado por Folha Política
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