24 de jul de 2014

Meu semelhante

 
 Eu ando pelo mundo dentre olhares e expressões
Promessas de curas e maldições
Acordos de paz que não podem seguir adiante
Pois os homens em suas guerras
Por riquezas ou santificações
Já não o vêem mais, meu semelhante
Nem a vida que lhes oferta a fronte
Nem os peixes nem as aves nem as vacas sagradas
Nada que nade, caminhe ou voe pelo horizonte
Nada, apenas esse fétido ouro negro
A escravizar aqueles que lhe buscam lá fora
Pois que são como cascas vazias, meu semelhante
Quem dera pudessem olhar o céu noturno
E ver sua luz trazendo as boas novas
De épocas em que não participamos
Não como homens, mas como átomos
Como luz a cruzar o infinito
Quem dera vissem suas estrelas
Como quem vê poesia em quadro negro
Como quem se alegra, mas guarda segredo
Que nem todos estão preparados para enxergar
O que vêem a olho nu
Preferem se iludir ou se entreter com essas sombras
Essas cascas de sentimento
Esses manuais de verdades absolutas
Esses códigos de ciência infalível
E promessas e barganhas de um mundo melhor
Um céu que está sempre lá fora a ser alcançado
Nunca aqui dentro, a ser amado
Eu quero conhecer só a ti, meu semelhante
Que estamos todos conectados:
Pela biologia, a vida.
Pela química, aos planetas.
Pelos átomos, as estrelas.
Mas é tão somente pelo agitar da mente
E pelas lentes claras do pensamento
Que percebemos que aqui sempre estivemos
Que sempre fomos semelhantes
Pois nunca um poderia estar fora do outro
Embora sua substância nos permeie a todos
Como o perfume dos amantes
Todo o turbilhão de partículas do cosmos
E todas as galáxias e estrelas
E todas as eras geológicas
E todas as poesias, e todas as equações
E todos os olhares e expressões
Todo amor e toda a gratidão para ti
A substância que não pode criar a si mesma
Mas que tudo o mais criou
Eu quero desvendar todos os mistérios e enigmas
Todos os códigos que nos ocultou
Dentre essa brisa de poeira vacilante
Eu quero conhecer só a ti, meu semelhante
raph'10
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