22 de jun de 2014

O Coração tudo suporta


"Se você parar lá – Eu sou essa coisa crua, sem valor e não amável – parece inicialmente intolerável. Começamos a mentir em cima disso, ou aprendemos afirmações, ou então fazemos uma maquiagem… qualquer coisa que não seja encarar a inutilidade. 
Mas só depois que aquela aparente inutilidade essencial seja encontrada e experimentada na sua totalidade, você será capaz de conhecer a absoluta
verdade de quem você é.

Primeiro você tem que encontrar a verdade sobre o que é que é realmente buscado. O que você realmente quer? Liberdade e iluminação?
Realmente? Fale a verdade. Se você tiver liberdade e iluminação, o que ela vai te dar? Talvez a resposta seja, “Vai me dar respeito, ou amabilidade, ou fama, ou felicidade eterna, ou poder, ou alívio do sofrimento do mundo”. Ao dizer a verdade você pode descobrir o que é realmente desejado. Você descobre o que você quer que a iluminação lhe proporcione. Geralmente não é uma verdade bonita, mas é necessário revelá-la pra você mesmo.

Isso não é o fim. Há mais. Se você estiver disposto a dizer a verdade sobre que fama, que amabilidade, ou força você vai obter, você descobre o desejo por trás disso: pode ser algo como “todos irão me amar” ou “as pessoas finalmente verão quem eu sou e me darão o que eu quero”. E se você disser a verdade sobre o que isso vai lhe dar, então você começa a chegar perto de qual é realmente o desejo essencial.

Você está disposto a dizer toda a verdade até o fundo das profundezas? Está disposto a desnudar o que sua vida realmente é, onde sua atenção realmente está, em nome da iluminação ou da paz? Está disposto a ser honesto e ver o mecanismo que está funcionando por baixo de nossas orações por iluminação e paz? Essa é a oportunidade para encontrar o abismo; o enorme e mais evitado buraco da vida, a intimação que você seja pior do que inútil, que você seja realmente nada.

Nesse ponto, surge uma forte tentação de fugir para a superfície emocional. Pode aparecer um breve reconhecimento, e então uma volta à segurança da mentira. A mentira é mais confortável. Tem mais esperança, mais promessa. Imaginamos que se formos nada nós não existimos, e isso é horripilante. Então nós preferimos existir como algo inútil que talvez um dia possa desenvolver valor do que existir como nada.

Se você for sincero na sua intenção de realmente saber a verdade, e se você estiver disposto que esse conhecimento da verdade possa lhe dar nada além do que você mesmo – nenhuma fama, nenhum reconhecimento, nenhuma felicidade, nenhuma isenção, nenhum amor universal – se você quiser a verdade tanto assim, então você está disposto a cair no abismo, a encontrar o abismo com sua atenção total, a encontrar a verdade que você é nada.

O convite é apenas largar todas as mentiras. Soltar sua consciência sobre elas. Sinta o queimor, a dor, o ardor, o horror, a ilusão, a mentira e a tentação de enganar com mais algumas mentiras. “Meu Deus, sou pior do que tudo aquilo, pior que nada”. E lá está o segredo, a grande revelação.

Encontrar o abismo é o círculo completo. É voltar pra casa, voltar para si mesmo. O relato extraordinário de todos que encontraram o que o abismo traz de volta para você é que o nada que você é é consciência desperto, viva. Consciência desperta, viva e imersa em amor. Ser nenhuma-coisa, é tudo que você tem procurado para se definir como algo que vale algo, ou algo inútil. Tudo que você vinha procurando está aqui na profundeza do seu ser, debaixo de todas as mentiras. É o que tem sido procurado e escapado todo o tempo! É a simplicidade e a pureza de quem você, aqui agora e sempre.

A grandeza que é a consciência, o coração daquela espaçosidade que é sua verdadeira natureza, tem a capacidade de suportar qualquer idéia, conceito o sentimento que você pensa que você é. Cada limitação. Cada dimensão do inferno. Cada dimensão do paraíso. Tudo. 

O coração pode suportar tudo. Não importa qual seja sua história, não importa que circunstâncias você esteja, não importa quantas mentiras você se contou o encobriu, neste momento você tem a capacidade de voltar a si mesmo e descobrir a completa verdade do seu ser."
Gangaji em The heart can bear it all
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