18 de jun de 2014

A simplicidade é sábia, bela e gentil


A vida é muito mais fácil e mais gostosa de viver quando buscamos a simplicidade.
Quando penso a simplicidade, vejo uma vida que se ocupa em ser só o que é, a essência do simples existir sem a complexidade da multiplicidade do tudo querer ser e tudo querer ter.
Uma vida simples é uma vida com gentilezas que geram outras gentilezas, simpatia, harmonia, amizades como as simples e pronunciáveis palavras mágicas: por favor; muito obrigado; desculpe; com licença; bom dia; boa tarde; boa noite; boa sorte.
Uma vida simples não desperdiça energia e nem forças e faz com que tudo corra para a realização do momento, do hoje, sem o estresse do ontem e nem a ansiedade do amanhã, sem a angústia de não ter o que vai além do essencial.
Percebemos o quanto a simplicidade é bela, é prática, sábia, gentil, quando observamos a natureza.
A beleza e a simplicidade caminham juntas, ambas se encontram no jardim, onde não há desarmonia nas cores e nem tristeza nas flores, onde a vida é o que é, em seu momento, respeitando a lógica silenciosa do existir. Observo a roseira, a orquídea, o lírio, a lágrima de cristo, todas elas só precisam do necessário para cada instante, cumprindo seu destino de germinar, crescer, florir, perder o viço e morrer, cada coisa a seu tempo e para isso só precisam absorver a água da chuva, o sol e o vento, de onde extraem tudo que precisam para viver.
A simplicidade é leve e torna leve todo o ambiente no qual habita e só busca o que vale a pena existir ou acontecer.
Para pessoas simples o menos é mais e o pouco é mais que o suficiente; a gentileza faz parte de sua essência e seu sorriso é verdadeiro, exprime a sinceridade.
Mas como é difícil ser simples hoje em dia, em um mundo cheio de multiplicidades que estimula o consumismo, onde tudo é repaginado, renovado diariamente e surge com mais recursos, mais possibilidades, mais tudo. Somos estimulados a queimar etapas de nossas vidas desde criança, não nos compreendemos como somos no instante. Estamos sempre pensando no que queremos ser, enquanto nos perguntam: - “O que você vai ser quando crescer?“.
Somos o que somos e por enquanto devemos nos permitir crescer para então decidirmos no momento certo. Estamos sempre desejando algo mais, um carro mais caro, um computador com mais recursos, uma viagem mais longa na qual levamos inúmeras malas. Somos complicados, multiplos, consumistas, completos e pesados. Estamos sempre querendo tudo, sempre querendo mais, nunca estamos satisfeitos com o que conseguimos, por isto, estamos sempre angustiados, ansiosos, estressados a tal ponto que podemos passar por milhares de flores que não percebemos sua beleza, sua simplicidade, sua capacidade de cumprir o ritual de sua própria existência. Se nos permitíssimos perceber o simples, ser simples, parar para ver o por do sol, ouvir o cantar do pássaro, observar a beleza da flor, levar uma mochila na viagem ao invés de dezenas de malas, estaríamos agradecidos com o que temos, viveríamos melhor o hoje, não queríamos tudo ao mesmo tempo e nos permitiríamos aproveitar melhor o pouco daquele momento.
Se conseguíssemos ser realmente simples não faríamos tantos projetos futuros, nos empenharíamos em realizar melhor o projeto de agora, de forma simples, concreta, aplicável, eficaz.
Enquanto acumulamos para o futuro, desejamos ter cada vez mais, nos tornamos multifuncionais na realização de múltiplas tarefas complicando nosso próprio existir, perdemos a essência querendo ser o que não somos, deixamos de viver a própria vida, nos tornamos pesados, intolerantes e esquecemo-nos de ser gentis uns com os outros, disputamos espaços, concorremos em tudo e queremos tudo, quando poderíamos ser mais felizes se buscássemos ser simples e gentis, onde o menos é muito mais e onde tudo que é mais é muito menos. 
Por: Riselda Morais


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